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Projeto Kayuvá - Pinhão Familiar Sustentável

Reportagem Diário Catarinense

31/05/2010

Maturação precoce prejudica colheita do pinhão na Serra Catarinense

Preços ao consumidor estão mais baixos, mas a procura ainda é pequena

 

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Atualizada em 31/05/2010 às 06h30min"); } } ]]>

Pablo Gomes |  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

As perdas com o pinhão precoce chegam a 40% em algumas propriedades de Urupema e Painel, cidades que concentram praticamente a metade das 25 mil toneladas que devem ser colhidas na Serra Catarinense neste ano.

Apesar da produção menor, os preços no supermercado podem ficar mais baixos dos do ano passado.

Por causa do clima, a maturação da semente ocorreu quase um mês antes do normal, que é o fim de março. Assim, quando a colheita começou oficialmente, em 15 de abril, muito pinhão já havia sido perdido.

As pinhas caíram das araucárias, mas, conforme legislações federais, nem mesmo este pinhão maduro no chão pode ser colhido, transportado e comercializado antes do dia 15 de abril. E esperar passar a data para juntá-lo tornou-se inviável porque a semente tem prazo de validade máximo de dois meses entre a colheita e o consumo.

Na teoria, a colheita menor significaria preços maiores. Mas não é o que está acontecendo. Mais de um mês após o início da safra, a procura por pinhão ainda é pequena. O frio ainda não chegou com força e o consumo da semente está diretamente associado às baixas temperaturas.

Ano passado, o agricultor Jovani Silveira de Souza, morador da localidade de Morro do Susto, em Urupema, colheu aproximadamente 500 quilos de pinhão em uma área de cinco hectares. Jovani faturou entre R$ 1,50 e R$ 2 por quilo, mas o preço chegou a alcançar R$ 3 no fim da colheita, quando a oferta já era bem reduzida. No total, o agricultor lucrou R$ 1,3 mil, dinheiro suficiente para pagar as despesas da casa e garantir a alimentação dele e da mulher durante meio ano.

— Este ano, não estou conseguindo mais que R$ 0,80 por quilo. Mas não posso parar de colher pinhão, pois não tenho custo nenhum, apesar de dar trabalho subir nas araucárias para derrubar as pinhas. Até uns quatro anos atrás, eu produzia maçã e batata, mas como só estava tendo prejuízo, parei de plantar, e hoje o pinhão é minha principal fonte de renda, somado aos bicos que faço como carpinteiro na construção civil — diz Jovani.

O menor preço que ele recebeu em 2009 (R$ 1,50 por quilo) é o preço que os consumidores estão pagando nos supermercados da região.

Atividade passa por mudanças

Estima-se que 12 mil famílias colham pinhão na Serra Catarinense. Cerca de 30% delas, que têm na atividade a principal fonte de renda, enfrentam três problemas principais, aponta o Projeto Kayuvá, que trabalha a valorização da floresta com araucária e da agricultura familiar na região.

O primeiro é a dependência dos chamados atravessadores, que compram a semente por preços baixos. O Kayuvá está organizando os produtores e orientando sobre a época certa para fazer a colheita. A ideia é profissionalizar o agricultor para que ele mesmo venda ao mercado. De olho na exportação, existem ainda planos de criar uma marca e um selo orgânico para o pinhão da Serra.

Um segundo problema é o risco de acidentes dos agricultores que sobem nas araucárias para derrubar as pinhas. A questão deve ser resolvida com a capacitação dos produtores para que façam rapel nos pinheiros.

O terceiro ponto é a proibição por lei de colher até mesmo a semente que está no chão antes do dia 15 de abril, sob pena de multa de R$ 300 por quilo irregular. Muitos produtores defendem que o prazo pode ser antecipado para 1º de abril.

— O dia 15 de abril foi estipulado para garantir que o pinhão que cair das araucárias sirva de alimento para os animais e, por ser a semente, gere novos pinheiros e perpetue a espécie. Mas estamos fazendo todo um estudo para embasar cientificamente as propostas de alteração destas normas, proporcionando benefícios aos produtores e sem prejudicar a natureza — explica a agrônoma Gabriela Santos Savian, do Projeto Kayuvá.

 

Acesse: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&newsID=a2921504.xml&channel=&tipo=1§ion=Economia

 

No dia 25 de maio de 2010, foi realizado no munícipio de Painel - SC uma reunião com os agricultores para discussão sobre a cadeia produtiva do pinhão, buscando alternativas e soluções para problemas encontrados na safra.

 

 

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